Roupa e arquitetura são dois fenômenos humanos que têm muito em comum: surgem da necessidade de proteção contra as intempéries da natureza, cuidando da segurança corporal de quem as usa, demarcam limites sociais, restringindo ou não a quantidade de informações que uma pessoa ou grupo expõe aos outros, e refletem os valores socioculturais e a posição social de quem as idealiza e usa.
Aqui surge uma diferença fundamental: uma peça de roupa, uma gravata, por exemplo, é usada por um único indivíduo em um dado momento e em um certo contexto, adquirindo significados diferentes se ela for usada em uma favela ou em uma sala de reuniões de uma empresa. Um prédio comercial apesar de ser construído para servir mais adequadamente a interesses de certos grupos do que outros e refletir determinadas ideologias em sua arquitetura, vai reunir no mesmo espaço uma grande heterogeneidade de indivíduos, desde executivos de terno e gravata a seguranças e faxineiros em seus uniformes de trabalho. Neste caso a leitura de um mesmo lugar, de uma arquitetura, difere de acordo com o indivíduo que a frequenta, de seu lugar na sociedade e suas visões. Já a leitura da roupa, independentemente da individualidade de quem a usa, vai ser determinada pelo local e o contexto (a arquitetura) em que é usada.
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